Questão: 5. Por que o Buddhismo fala de "sofrimento"?
Na verdade, o termo sânscrito Duh:kha -- em páli, Dukkha --,
freqüentemente traduzido como "sofrimento", deve ser mais
corretamente entendido como significando insatisfação ou angústia
mental, e não o sofrimento físico em si. Essencialmente o Buddhismo
fala de Duh:kha como sendo a conseqüência do processo de ignorância
perceptiva, que nos faz agir, sentir e pensar de forma pouco equilibrada
e assim provoca em nossas vidas um sem-número de momentos estressantes
e insalubres: neste momento estamos alegres, logo após estamos cheios
de raiva; agora nos sentimos amorosos, tempos depois sentimos desprezo. Este
processo irregular de altos e baixos
perceptivos e emocionais cria em nosso íntimo muita angústia
e insatisfação, fazendo de nossas vidas um palco de experiências
discordantes e decepcionantes, afastando a real felicidade.
Portanto, por "sofrimento" devemos entender o fenômeno
da ignorância mental agindo como fator delusório, e nos deixando à mercê de
um encadeamento de emoções insalubres e conflitantes, seja
em momentos alegres ou tristes. O Buddhismo aponta para o fato de que tal
processo, apesar de parecer natural ou pelo menos inevitável, é fruto
de uma incapacidade de acessarmos nosso potencial saudável de consciência
correta e percepção apurada. Assim, existe uma saída
para o jogo de êxtases e agonias que a vida nos apresenta. Através
da superação da insatisfação (ou sofrimento)
mental, atingimos um estado de auto-regulação saudável
e esclarecido, permitindo que a felicidade se instale em nossas mentes
e corações.