Podemos considerar o Dharma como o conceito mais importante
no escopo de ensinamentos de Buddha, através do qual toda a sabedoria implícita na prática buddhista será apreendida. Na tradição Buddhista devemos considerar dois contextos fundamentais para o termo sânscrito "Dharma":
A. Em sua definição primordial, o Dharma seria a "Lei ou Ética", significando a própria doutrina de Buddha em suas cruciais argumentações e conclusões, por ele mesmo apresentada logo após sua experiência de Iluminação. A proposta de Buddha seria expor um conjunto de
premissas que representariam uma verdade universal - que não deve ser
confundida com uma verdade única e especial, exclusiva do buddhismo
-- e humanista, ou seja, um ensinamento tão coerente e bem fundamentado que se manifesta na existência todo o tempo, plenamente, e pode ser acessado por todos os seres sem distinção.
B. Em um segundo contexto, temos os "dharmas", ou o conjunto de fenômenos e ações que pavimentam o caminho do praticante, e que podem resultar na descoberta de verdades menores mas engrandecedoras.
Neste contexto o próprio Dharma, ou Lei, se espraia em diversos aspectos
da existência e torna-se plural na medida que, ao longo da vida, o praticante
sempre irá se defrontar com as várias facetas da Verdade Universal manifestadas em pequenas e grandes descobertas íntimas e pessoais.
O
Dharma de Buddha ensina que o fundamento de nossa insatisfação
está na ignorância (desconhecimento ou "anuviamento" perceptivo)
sobre a correta natureza das coisas e de nós mesmos; que será através
da superação desta ignorância que lograremos superar
os atos, sentimentos e pensamentos insalubres que nos levam ao exercício
do ódio, ambição egoísta e ilusão; e que
a prática do Caminho do Meio (o conjunto de ações contemplativas
saudáveis passíveis de experimentação através
da prática da Meditação de Plena Consciência à Respiração– "Anapanasati" – e outras práticas tradicionais do Buddhismo) é um meio seguro de nos conduzir à liberdade mental, e enfim ao estado de Buddha. (ver questão
5 e 7)
É preciso frisar que o Dharma, como uma lei básica buddhista,
não se contrapõe ao Karma. Ambos os termos são expressões
de conceitos distintos, ainda que complementares. Portanto, a crença
de que estes seriam opostos entre si, e que deveríamos de alguma forma "fazer" mais dharma e menos karma é de todo incorreta, fruto de um moderno equívoco interpretativo.