Questão: 12. O Buddhismo é mesmo uma religião que permite tudo e não tem obrigações?
Vários motivos fizeram com que as pessoas no Ocidente criassem uma imagem
do Buddhismo que não corresponde nem às suas doutrinas originais
nem ao seu desenvolvimento histórico. O Buddhismo não é uma
religião do laissez-faire, do 'deixar para lá' ou do escapismo.
O Buddha apresenta uma proposta clara e metódica ao problema do sofrimento
humano e qualquer um que deseje segui-lo e experimentar por si mesmo o caminho
e seus frutos deverá necessariamente empreender um profundo exame de
seu próprio interior, em termos de intenções e atitudes,
modificando aquilo que percebe, por sua sabedoria, necessário de ser
modificado, ao mesmo tempo em que incrementando aquelas qualidades que percebe
ser importante serem aumentadas. O caminho buddhista portanto é um de
método, introspecção e disciplina.
Aqueles que fazem
a opção por adentrarem na comunidade monástica
fazem ao mesmo tempo (e uma coisa equivale à outra) a opção
por seguirem um conjunto de disciplinas e regras calculadas a manterem a harmonia
e boa convivência entre os membros da comunidade. Tais disciplinas e
regras estão presentes na forma de um Vinaya (conjunto de regras monásticos)
que varia de escola para escola, mas que implicam sempre no estabelecimento
de diretrizes mínimas para a convivência harmoniosa.
Já para aqueles que não optam pelo monasticismo mas decidem
se tornar seguidores sérios do ensinamento, há também
um conjunto de preceitos ou treinamentos que eles idealmente devem fazer o
melhor para segui-los, e os quais servem de base para seu desenvolvimento na
concentração e investigação necessários
para seguir o caminho proposto pelo Buddha de forma apropriada.