Questão: 9. Por que a meditação é tão falada no Buddhismo? É a mesma meditação que encontro no Yoga Hindu ou em outras religiões?
Historicamente, a Meditação (em sânscrito, Dhyana) como técnica específica tem origem nas antigas tradições hinduístas, onde sua prática tem como objetivo – sob o cômputo geral de suas várias tradições – realizar a experiência mística de Moksha (libertação, esclarecimento) e assim atingir o Samadhi (iluminação). A prática da meditação (conforme a abordagem derivada dos conceitos espirituais demonstrados por Buddha e já apresentada em suas características buddhistas particulares) é um ponto crucial da técnica psico-espiritual buddhista, e representa o momento em que o praticante poderá acessar as mesmas descobertas e experiências vividas pelo próprio Buddha. No buddhismo, a meditação pode se desdobrar em várias técnicas dependendo de qual escola estivermos enfocando, mas em virtualmente todas as escolas tradicionais temos que a técnica meditativa fundamental será a chamada Meditação da Plena Atenção à Respiração, conforme preconizado pelo próprio Buddha em seu famoso texto AnapanaSati-Sutta(Majjima Nikaya, 118). Esta meditação consiste no simples ato de sentar em silêncio, concentrando a mente no ritmo respiratório.
Embora algumas pequenas variações sobre como iremos nos concentrar ocorra em diferentes escolas, podemos dizer que a meditação da Plena Consciência é a prática que define o ensinamento de Buddha por excelência. Sem o ato meditativo, não existe vivência buddhista, não há esclarecimento, não há libertação.
Existem diferenças de enfoque, ritos e argumentação entre
a meditação buddhista e a meditação de outras
escolas orientais e ocidentais. Contudo, ninguém que saiba exercitar
corretamente sua observação e discernimento irá discordar
da existência
de profundas semelhanças de experiência contemplativa entre
a prática buddhista e outras escolas religiosas saudáveis.
Um aspecto, entretanto, devemos salientar: a meditação buddhista
não
visa a obtenção de poderes místicos, êxtases religiosos,
desenvolvimento de contatos mediúnicos ou o domínio de magias.
Ela tem como meta o aprimoramento da consciência, a purificação
mental (perceptiva), o desenvolvimento da compaixão
(através do exercício da compreensão correta das coisas)
e a superação das angústias psico-emocionais - e ao
final, a realização profunda do Esclarecimento. Toda escola não-buddhista que tenha esses mesmos objetivos, fundamentados em premissas semelhantes aquelas das Quatro Nobres Verdades e do Caminho óctuplo (ver questão 1), apresentados de forma coerente e amadurecida compartilhará, certamente, a mesma experiência de iluminação espiritual, diferindo apenas na forma em como irá abordar a questão.